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Estudo Geografia, meu objetivo neste site e escrever sobre geografia informando sempre as fontes utilizadas, indicando bibliografia dos textos de revistas ou livros, dar informações sobre os autores de textos que eu vier a trabalhar aqui no blog, com o intuito de divulgar estes trabalhos que eu gostei de conhecer e utilizar na faculdade.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

livro CLIMATOLOGIA - noções básicas e climas do Brasil - CAP 1 parte 1



autores: Francisco Mendonça e Inês Moresco Danni-Oliveira

Climatologia: Concepções científicas e escalas de abordagem

O Conhecimento Climático

Conhecer a atmosfera do planeta Terra é uma das aspirações que vêm sendo perseguidas pela humanidade desde os tempos mais remotos. A partir do momento em que o homem tomou consciência da interdependência das condições climáticas e daquelas resultantes de sua deliberada intervenção no meio natural com necessidade para o desenvolvimento social, ele passou a produzir e registrar o conhecimento sobre os componentes da natureza.


Desvendar a dinâmica dos fenômenos naturais, dentre eles, o comportamento da atmosfera, foi necessário para que os grupos sociais superassem a condição de meros sujeitos às intempéries naturais e atingissem não somente a compreensão do funcionamento de alguns fenômenos, mas também a condição de utilitários e de manipuladores dos mesmos em diferentes escalas.

Nos primórdios da humanidade, o conhecimento sobre a atmosfera era muito pobre, assim como o era, de maneira geral, todo o conhecimento humano da realidade, devido à fraca capacidade de abstração do homem naquela época. Assim, atribuía-se a alguns fenômenos a condição de deuses. Por milhares de anos, o raio, o trovão a chuva torrencial, a intensa seca etc. foram reverenciados como entidades mitológicas ou a elas ligados.

O conhecimento humano que conseguiu se desenvolver e apresentar explicações lógicas para aqueles fenômenos naturais formou, então, as bases iniciais para a origem do estudo científico da atmosfera. Bem antes da era cristã, no Ocidente, o conhecimento da camada de gases que envolve a Terra já era produzido e registrado de várias maneira. O regime de cheias e vazantes do rio Nilo, por exemplo, levou os egípcios a refletir sobre os elementos do ar dos quais derivavam a umidade e a conseqüente fertilidade dos solos de várzeas do rio, recurso natural responsável pelo abastecimento alimentar daquele povo.

Entretanto, foram os gregos os primeiros a produzir e registrar de forma mais direta suas reflexões sobre o comportamento da atmosfera, decorrentes das observações feitas acerca da diferenciação dos lugares e em navegações pelo mar Mediterrâneo. Anaxímenes, por exemplo, acreditava que a origem da vida estava ligada ao ar: Hipócrates escreveu a obra intitulada Ares, Águas e Lugares (em 400 a.C.) e Aristóteles, Meteorológica (em 350 a.C). Muitos dos princípios que regem o atual conhecimento sobre a atmosfera surgiram entre os pensadores gregos de então, que elaboraram conceitos válidos para a Terra como um todo. A divisão do planeta em zonas Tórrida, Temperada e Fria vem dessa época.

O domínio do mundo grego pelo Império Romano provocou uma queda considerável da produção intelectual no período, pois os romanos, diferentemente dos gregos, estavam mais preocupados com o expansionismo do Império que com o aprofundamento das reflexões sobre o comportamento dos fenômenos da natureza. Após a instituição do cristianismo como religião ocidental e sua difusão pelo mundo, observa-se uma quase completa negação da busca de compreensão da natureza nela mesma, pois a posição metafísica reinante no clero somente permitia a leitura da realidade a partir de uma filosofia teológica. O obscurantismo religioso medieval legou à ciência uma estagnação de aproximadamente mil anos.

Foi a partir de movimentos como o Renascimento que as preocupações com a atmosfera foram retomadas, no sentido de desvendar seu funcionamento. Alguns resultados daquelas preocupações podem ser identificados na invenção do termômetro, por Galileu Galilei, em 1593, e na invenção do barômetro, por Torricelli, em 1643. Após esse período, os saltos foram sendo cada vez mais rápidos e mais intensos, pois o conhecimento sistemático e detalhado da natureza era imperativo ante a necessidade de expansão capitalista européia.

No momento em que os produtos comercializáveis nos mercados ou alimentadores das indústrias eram originários sobretudo do campo, o conhecimento do clima fazia-se necessário para garantir maior produtividade e a melhoria da circulação das mercadorias em geral. O aprimoramento desse conhecimento foi mais marcante durante as duas guerras mundiais, no século XX, pois era fundamental o monitoramento da dinâmica atmosférica para a preparação de ataque e defesa doas tropas em um ou outro lugar.

O desenvolvimento técnico-cientiífico da sociedade no período pós guerra permitiu a invenção de inúmeros aparelhos para mensuração dos elementos atmosféricos com maior confiabilidade. O lançamento de satélites meteorológicos, a partir da década de 1960, permitiu a análise e o monitoramento minuto a minuto das condições atmosféricas em escala regional e planetária.

A fundação da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1950, dando sequência à Organização Meteorológica Internacional (OMI), de 1873, estabeleceu uma rede mundial de informações meteorológicas que vem, desde então, desenvolvendo tanto pesquisas quanto o monitoramento atmosférico contínuo da Terra. A criação dessa entidade aprofundou o estudo da camada de ar que envolve o Planeta e consolidou a importância de tal conhecimento para o progresso da sociedade humana.

Na atualidade, com o aumento da velocidade do sistema de comunicação planetário possibilitado pela Internet, inaugurou-se um período de intensa circulação de informações, o que facilitou sobremaneira a difusão de dados meteorológicos e climáticos. O fácil acesso a essas informações possibilitou um melhor conhecimento da dinâmica atmosférica planetária e regional, contribuiu para a elaboração de pesquisas e popularizou a Climatologia.


Climatologia e Meteorologia: alguns conceitos e abordagens

A Meteorologia e a Climatologia permaneceram, por um longo período da história do homem, como parte de um só ramo do conhecimento no estudo da atmosfera terrestre. Desde os gregos (século VI a.C.) até por volta do século XVII d.C., as características atmosféricas eram observadas e estudadas tanto em fenômenos específicos quanto na espacialidade e temporalidade dos mesmos.

A sistematização do conhecimento científico, produzido segundo princípios de lógica e método, deu-se no contexto europeu dos séculos XVIII e XIX. As contingências positivistas da época possibilitaram a fragmentação do conhecimento em ramos específicos, dando origem à ciência moderna, o que produziu a apreensão individualizada dos elementos formadores da realidade e, muitas vezes, de um mesmo elemento segundo diferentes abordagens.

Dessa maneira, o estudo da atmosfera Meteorologia ficou pertencendo ao campo das ciências naturais (ao ramo da Física), sendo de sua competência o estudo dos fenômenos isolados da atmosfera e do tempo atmosférico (wather, temps).

O tempo atmosférico é o estado momentâneo da atmosfera em um dado instante e lugar. Entende-se por estado da atmosfera o conjunto de atributos que a caracterizam naquele momento, tais como radiação (insolação), temperatura, umidade (precipitação, nebulosidade etc.) e pressão (ventos etc.)

A Meteorologia trata da dimensão física da atmosfera. Em sua especificidade, ela aborda, de maneira individualizada, fenômenos meteorológicos, como raios, trovões, descargas elétrica, nuvens, composição fisco-química do ar, previsão do tempo, entre outros. Dado à sua característica de ciência física, a Meteorologia trabalha também com a concepção dos instrumentos para a mensuração dos elementos e fenômenos atmosféricos, o que possibilita o registro desses fenômenos e forma uma fonte de dados de fundamental importância para o desenvolvimento dos estudos de Climatologia.

O surgimento da Climatologia, como um campo do conhecimento científico com identidade própria, deu-se algum tempo depois da sistematização da Meteorologia. Voltada ao estudo da espacialização dos elementos e fenômenos atmosféricos e de sua evolução, a Climatologia integra-se como uma subdivisão da Meteorologia e da Geografia. Esta última compõe o campo das ciências humanas e tem como propósito o estudo do espaço geográfico a partir da interação da sociedade com a natureza.

Na sua particularidade geográfica, a Climatologia situa-se entre as ciências humanas (Geografia, particularmente a Geografia Física) e as ciências naturais (Meteorologia – Física), estando mais relacionada à primeira que à segunda.


Os clássicos conceitos de clima (climate, climat) revelam a preocupação com a apreensão do que seja a característica do clima em termos do comportamento médio dos elementos atmosféricos, tais como a média térmica, pluviométrica e de pressão. Formulados conforme as prerrogativas da OMM, alguns conceitos internalizam também a determinação temporal cronológica para a definição de tipos climáticos, de onde as médias estatísticas devem ser estabelecidas a partir de uma série de dados de um período de 30 anos.

O conceito elaborado por Julius Han, no final do século XIX, enquadra-se no clássico conceito de clima, considerando-o “o conjunto dos fenômenos meteorológicos que caracterizam a condição média da atmosfera sobre cada lugar da Terra”

Já o conceito apresentado por J. O. Ayoade, na década de 1980, liga-se mais àqueles formulados de acordo com a OMM, pois, parao autor, o clima é “a síntese do tempo num determinado lugar durante um período de 30-35 anos”.

A análise da dinâmica do ar e evidenciou a necessidade do tratamento dos fenômeno atmosféricos que ocorrem de forma eventual ou episódica, pois observou-se que são estes os que causam maior impacto às atividades humanas em geral. A análise climática embasada nas condições médias dos elementos atmosféricos revelou-se insatisfatória para o equacionamento dos problemas relativos à produtividade econômica e ao meio ambiente.

Foi nesse contexto que o tratamento do clima, segundo uma cadência rítmica de sucessão de tipos de tempo, tornou-se evidente e necessário a uma abordagem genética dos tipos climáticos. Assim, a conceituação apresentada por Max Sorre, pela sua abrangência, tem atendido a tais preocupações, pois concebe o clima como “a série dos estados atmosféricos acima de um lugar em sua sucessão habitual”.

A CLIMATOLOGIA CONSTITUI O ESTUDO CIENTÍFICO DO CLIMA. ELA TRATA DOS PADRÕES DE COMPORTAMENTO DA ATMOSFERA EM SUAS INTERAÇÕES COM AS ATIVIDADES HUMANAS E COM A SUPERFÍCIE DO PLANETA DURANTE UM LONGO PERÍODO DE TEMPO. Esse conceito revela a ligação da Climatologia com a abordagem GEOGRÁFICA do espaço terrestre, pois ela se caracteriza em um campo do conhecimento no qual as relações entre a sociedade e a natureza configuram-se como pressupostos básicos para a compreensão das diferentes paisagens do Planeta e contribui para uma intervenção mais consciente na organização do espaço.

Para uma melhor compreensão dos diferentes climas do Planeta, os estudos em climatologia são estruturados a fim de evidenciar os elementos climáticos e os fatores geográficos do clima. Os elementos constitutivos do clima são três: a temperatura, a umidade e a pressão atmosférica, que interagem na formação dos diferentes climas da Terra. Todavia, esses elementos, em suas diferentes manifestações, variam espacial e temporalmente em decorrência da influência dos fatores geográficos do clima, que são: a latitude, a altitude, a maritimidade, a continentalidade, a vegetação e as atividades humanas. A CIRCULAÇÃO e a DINÂMICA ATMOSFÉRICA superpõem-se aos elementos e fatores climáticos e imprimem ao ar uma permanente movimentação.

Este livro foi organizado tendo por princípio didático essa estruturação do estudo do clima. Assim, em uma primeira parte, são abordados


elementos e fatores geográficos do clima – concebidos como suas bases meteorológicas –


para, em seguida, serem tratadas a acirculação e a dinâmica atmosférica.


Na sequência, apsenta-se a aplicação deses conhecimentos para o contexto da Améria do Sul e do Brasil, evidenciando a tipologia climática do País.


Para completar a obra, são apresentados alguns temas de interesse da Climatologia atual, como o EFEITO-ESTUFA, o EL NIÑO e a DESERTIFICAÇÃO.

4 comentários:

  1. Sônia, mil perdões. Só hoje vi o seu comentário no meu blog. É que o meu filho nasceu nao passado e desde então não tenho tido muito tempo livre para o meu blog amado, mas tão abandonado ultimamente rsrs. Me escreve manoela.granja@gmail.com
    Beijo grande!

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  2. Ótimo tópico. Prestei um concurso e nele havia uma questão questionando quais seriam os fatotes geográficos do clima. A resposta correta indica vegetação e atividade humana. Havia porém uma outra questão com latitude e vegetação. Na minha concepção ambas estão corretas. Sob a luz da leitura do livro você acredita que posso estar correto?

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  3. OLA CRIS,
    DESCULPE NÃO TE RESPONDER NA SEMANA PASSADA.
    VEJA SÓ:
    O LIVRO DO MENDONÇA, QUE ESTE QUE PRETENDO POSTAR INTEGRALMENTE NO BLOG, TRAZ DETALHADAMENTE QUAIS SÃO OS FATORES GEOGRÁFICOS DO CLIMA, SÃO ELES:
    LATITUDE;
    ALTITUDE;
    MARITIMIDADE;
    CONTINENTALIDADE;
    VEGETAÇÃO E
    ATIVIDADES HUMANAS.
    OS SEIS FATORES CORRESPONDEM ÀQUELAS CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS ESTÁTICAS DIVERSIFICADORAS DA PAISAGEM, DE MODO QUE TODAS SÃO FATORES GEOGRÁFICOS DO CLIMA, QUE ANALISADAS DE UMA MANEIRA GERAL, DE ACORDO COM FRANCISCO MENDONÇA, AS DUAS ALTERNATIVAS QUE VC APRESENTOU ESTÃO CORRETAS.
    ENTRETANTO, VALE OBSERVAR QUAL O CONTEXTO EM QUE A AFIRMATIVA SE DEU. QUERO DIZER SE ELA TRAZIA ALGUM TEXTO PARA SER TRABALHADO, POIS, EM SE TRATANDO DE CLIMATOLOGIA E GEOGRAFIA A ATIVIDADE HUMANA E O HOMEM É ENTENDIDO COMO UM ORGANISMO CAPAZ DE MODIFICAR CONSIDERAVELMENTE AS FORÇAS DA NATUREZA ATRAVÉS DA TECNOLOGIA
    A LATITUDE É UM IMPORTANTE FATOR CLIMÁTICO, ELA RETRATA A AÇÃO DE ALGUNS CONDICIONANTEES ASTRONÔMICOS NA QUANTIDADE DE ENERGIA QUE ENTRA NO SSA – SISTEMA SUPERFÍCIE-ATMOSFERA. ISTO É A INTENSIDADE QUE O RAIO SOLAR ESTÁ ENVIANDO CALOR PARA A SUPERFÍCIE.
    A VEGETAÇÃO DESEMPENHA UM PAPEL REGULADOR DE UMIDADE E DE TEMPERATURA EXTREMAMENTE IMPORTANTE. TOMANDO-SE AS ÁRES FLORESTADAS COMO EXEMPLO, OSBERVA-SE QUE SUAS TEMPERATURAS SERÃO INFERIORES ÀS DAS ÁREAS VIZINHAS COM OUTRO TIPO DE COBERTURA – COMO CAMPO, POR EXEMPLO, UMA VEZ QUE AS COPAS, OS TRONCOS E OS GALHOS DAS ÁRVORES ATUAM COMO BARREIRA À RADIAÇÃO SOLAR DIRETA, DIMINUINDO A DISPONIBILIDADE DE ENERGIA PARA AQUECER O AR. AS FOLHA NO CHAO, OS FRUTOS E GALHOS CAÍDOS – SERRAPILHEIRA – ALIADOS À AÇÃO DAS RAÍZES NO SOLO E A DIMINUIÇAO DE IMPACTO DA CHUVA NO SOLO PERMITEM QUE OS PROCESSOS DE INFILTRAÇÃO DÁGUA NO SOLO SEJAM MAIS EFICIENTES, O QUE AUMENTA A CAPACIDADE DO SOLO DE TRANSMITIR O CALOR ABSORVIDO (O SOLO TEM MAIS TEMPO PARA IR DEVOLVENDO ESTE CALOR ), RETARDANDO O TEMPO DE AQUECIMENTO DO AR. SERIA TOTALMENTE DIFERENTE SE ESTIVÉSSEMOS FALANDO DE UMA ÁREA ASFALTADA.

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  4. observe os proximos assuntos e capitulos dentro do tópico CLIMATOLOGIA, continuarei postando na integra o livro do Francisco Mendonça, que é muito bom e esclarecedor.
    Dá para estudar para estes concursos que cai conteúdo de climatologia tranquilamente.
    abraço e até!

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